23 de setembro de 2015

Entre Rótulos e Capítulos

   Sábado, ah o sábado, aquele dia em que a primeira coisa que você faz é perguntar nos grupos do whatsapp: O que temos pra hoje?
   Vou te contar qual é a boa... É aquela festa, em algum lugar que você provavelmente não conhece, com um ou dois rostos familiares, bebida open bar, homens e mulheres a vontade, como num self-service.
Por sorte você foi com a sua turma, então não vai ficar deslocada por não pertencer ao grupo dos playboys, ou das patricinhas trabalhadas no Manolo e na MAC – enquanto você está, humildemente, usando o seu melhor sapato da Ávida ou até mesmo da C&A, com sua maquiagem da Avon –, tem também os fumantes, que são descolados demais para sair da área aberta, por não quererem parar de fumar... São tantos grupos, mas nenhum deles é o seu.          Nenhum deles é a sua cara.
   O seu grupo, na verdade, é composto por cada um dos personagens de cada grupo que você vê. Tem um playboy, tem a rica, a que está indo só pra beijar bocas, o pegador, e você!
Você, que bebe todas para tentar se encaixar naquele grupo, dose atrás de dose, numa competição para ver quem bebe mais, ou que dá PT primeiro, ainda não se sabe o porquê de beber tanto! Mas você sabe não precisa disso para se divertir.
   Aliás, você nem precisa disso para se divertir... tudo o que você queria era estar em casa, na rede, ouvindo baixinho um Jorge Bem Jor enquanto começa, continua ou termina aquele livro, que fala de Londres, ou Paris ou Roma, com um personagem principal que seria seu par perfeito na vida real.
Mas de alguma forma, parte da sociedade diz que você é careta demais por gostar de livros, por preferir livros. Até mesmo aquele passeio no deck, ver o pôr-do-sol. Só que seus amigos são descolados demais para isso. Eles preferem a boa e velha bebida alcóolica, luzes ofuscantes e fumaças inebriantes.
   E mais uma vez, você pensa: o que eu estou fazendo aqui? Será que as pessoas estão ficando loucas?
   Quando na verdade elas julgam você por ser louca de preferir A Culpa É Das Estrelas ao invés de uma boate.
   O que há de mal num livro? Porque soa tão esquisito para as pessoas você querer ler?
   É raro você encontrar uma pessoa que pergunte: Quantos livros você já leu? Elas normalmente querem saber quanto você tem pra contribuir no combo de vodka e energético que custa duzentos e oitenta reais... Agora talvez até mais, já que teve um reajustes nos impostos sobre bebidas alcóolicas.
   E diante daquela luz negra, da fumaça, e do álcool no sangue você ainda consegue raciocinar um pouco e se pergunta novamente o que diabos você está fazendo ali?

   Por sorte, nessa vida, não existe apenas um grupo social que você entra e fica para o resto da sua vida. Por sorte você encontra o seu grupo, que bebe e lê. E por sorte, seu grupo não acha que você deva ficar bêbada para se divertir e, principalmente, não te acha estranha por carregar um livro na bolsa.
Read More

© 2011 Crônicas de Gabriela, AllRightsReserved.

Designed by ScreenWritersArena